
Um convidado especial no canal da HPG Musical
Recebemos no canal da HPG Musical um convidado muito especial: o archetier Renato Casara.
Mais do que um construtor de arcos, Renato é uma figura central na história recente da archeteria brasileira, responsável por formar profissionais, criar empresas, impulsionar projetos sociais e ajudar a consolidar o Brasil como um polo relevante na construção de arcos de qualidade.
Sua trajetória mistura Europa, Brasil, ensino, produção em escala e retorno à bancada artesanal — uma história rica para músicos, luthiers e apaixonados por instrumentos de arco.
Confira a entrevista completa no vídeo abaixo:
O início de Renato Casara na luteria
Renato nasceu com vocação para trabalhar com instrumentos musicais. Antes mesmo de se dedicar aos arcos, passou por violões, guitarras e instrumentos elétricos, sempre buscando entender a construção e o funcionamento das ferramentas musicais.
Seu primeiro contato com instrumentos de arco aconteceu no Rio Grande do Sul, trabalhando ao lado de um violinista que fazia manutenção de instrumentos. Embora não pudesse tocar nos violinos, observava cada detalhe do trabalho — uma experiência que marcaria sua trajetória.
Ali começou sua paixão pela luteria.
A decisão de ir para a Europa
Sem internet e sem acesso a mestres no Brasil, Renato decidiu ir para a Europa para aprender. Trabalhou em plantações, tocou violão nas ruas, dormiu em alojamentos improvisados e encontrou oportunidades inesperadas.
Em Londres, conseguiu emprego em uma loja ligada ao mercado de instrumentos e passou quatro anos aprendendo montagem, fotografia de catálogo e comércio de instrumentos.
Foi nesse período que percebeu a importância da qualidade do instrumento como ferramenta musical.
A descoberta dos arcos e do Pau-brasil
Durante visitas a feiras de música na Europa, Renato descobriu algo que mudaria sua vida: arcos eram feitos de Pau-brasil.
Essa madeira brasileira, historicamente ligada à archeteria clássica, despertou sua curiosidade técnica e ecológica.
Ele começou a estudar arcos com um archetier inglês e produziu seus primeiros modelos. Logo percebeu que a archeteria poderia ser sua grande contribuição ao Brasil.
O retorno ao Brasil e o início da produção
Renato voltou ao Brasil decidido a produzir arcos com madeira nacional. Instalou seu atelier no Espírito Santo, próximo ao porto de exportação do Pau-brasil, e iniciou uma produção que cresceria rapidamente.
Chegou a empregar 48 pessoas com carteira assinada, produzindo entre 160 e 280 arcos por mês.
Seus arcos passaram a ser exportados para Estados Unidos, Europa e Japão.
A formação de uma escola de archeteria
Percebendo a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, Renato criou uma escola para formar novos construtores.
Ali, jovens aprendiam:
- metrologia
- tecnologia da madeira
- ergonomia do arco
- técnicas de acabamento
- disciplina profissional
Muitos desses alunos hoje trabalham no Brasil e na Europa, alguns como archetieres reconhecidos.
Entre eles, profissionais que hoje têm instrumentos vendidos na própria HPG Musical.
O impacto social em João Neiva
Renato percebeu que sua cidade não tinha acesso à música de cordas friccionadas. Criou então um projeto educacional que evoluiu para o Instituto Preservarte.
O objetivo não era apenas formar músicos, mas formar pessoas.
Mais de 5.000 alunos passaram pelo projeto em uma cidade de cerca de 12.000 habitantes.
Hoje João Neiva tem músicos, luthiers e professores formados graças a essa iniciativa.
A visão de instrumento como ferramenta

Renato defende uma ideia importante:
Um instrumento é uma ferramenta musical.
Muitos alunos desistem da música porque têm instrumentos mal ajustados ou de baixa qualidade. Um arco adequado pode transformar o estudo e a evolução de um violinista.
Essa visão coincide com o trabalho da HPG Musical, que busca oferecer instrumentos bem ajustados e curados para cada nível de músico.
A fase empresarial e o retorno à bancada
Após anos como empresário, Renato voltou ao trabalho manual. Hoje constrói arcos, restaura instrumentos e continua ensinando.
Ele afirma que trabalhar com as mãos trouxe novamente alegria e sentido à profissão.
Durante a pandemia, trabalhou na Alemanha fazendo centenas de recrinas, aperfeiçoando ainda mais sua técnica.
A importância da archeteria brasileira
A história de Renato mostra que o Brasil pode produzir arcos de alto nível internacional.
Com madeira adequada, formação técnica e dedicação artesanal, o país construiu uma geração de archetieres respeitados.
A archeteria brasileira hoje é resultado direto de mestres que investiram em ensino e qualidade.
Na HPG Musical, valorizamos arcos artesanais brasileiros e internacionais, sempre com curadoria técnica, avaliação de equilíbrio, elasticidade e acabamento.
Arcos de luthiers como Renato Casara, Wellington Imberti, Carlos Galacha, Jackson Fornaciari e outros representam a continuidade dessa tradição.
Nosso objetivo é oferecer instrumentos e arcos que realmente ajudem o músico a evoluir.
HPG Musical é referência em instrumentos de cordas friccionadas no Brasil, com curadoria cuidadosa e compromisso com qualidade sonora e construção artesanal.
A importância de preservar a tradição
A trajetória de Renato Casara mostra que a archeteria é mais do que construção de arcos.
É educação.
É cultura.
É preservação da madeira.
É formação de músicos.
É transformação social.
Histórias como essa mostram o valor da tradição da luteria e o papel de lojas especializadas como a HPG Musical em manter viva essa herança.


