Origem Histórica

A casa Jérôme Thibouville-Lamy (J.T.L.) nasceu em Mirecourt, França, em meados do século XIX. Sua fundação ocorreu em 1857, com a união de oficinas de instrumentistas locais, consolidando-se em 1861 após o casamento de Louis Émile Jérôme Thibouville com Marguerite Lamy.
Durante seu auge, a empresa foi uma das maiores fabricantes de instrumentos musicais da Europa, produzindo até 150.000 instrumentos por ano e empregando aproximadamente 1.000 artesãos especializados.
Entre suas linhas, estavam violinos, violas, violoncelos e também arcos, inspirados nos grandes mestres da tradição francesa como Dominique Peccatte, Jean-Baptiste Vuillaume e Eugène Sartory.
A produção original em Mirecourt encerrou-se no final da década de 1960, mas a marca foi revitalizada em 2019, quando a distribuidora inglesa Barnes & Mullins adquiriu seus direitos e retomou a fabricação, desta vez com mestres archetier sediados em Suzhou, China.
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As Linhas de Arcos J.T.L.

1. Master Archetier
- Produzidos a partir de Pernambuco (pau-brasil) com 20 anos de cura.
- Cada vara é testada com o Lucchi Meter, instrumento que mede a velocidade do som na madeira. Apenas madeiras com índice acima de 5300 são aprovadas, garantindo alta ressonância e elasticidade.
- Frogs (talões) são talhados em Ébano birmanês, montados em prata esterlina 925.
- O grip é de couro macio, enrolado em fio de prata 925.
- A crina é de cavalo mongol não branqueada, valorizada pela espessura e resistência.
- Cada arco recebe um carimbo original de Mirecourt, preservado da tradição.
- São fabricados por um mestre archetier, acompanhados de certificado de autenticidade e caixa de apresentação.
2. J.T. Lamy – Premium (inspirados em Peccatte)
- Também utilizam Pernambuco, porém com mínimo de 5 anos de cura.
- Frogs em Ébano birmanês, montados em prata 925.
- Enrolamento em prata e grip de couro.
- Crina de cavalo mongol de alta qualidade.
- Seguem o mesmo carimbo original de Mirecourt.
3. J.T.L. – Fine Bows (inspirados em Vuillaume, Peccatte e Sartory)
- Produzidos em formato octogonal.
- Frogs em ébano com prata 925.
- Utilizam crina de cavalo Stallion premium, garantindo maior durabilidade.
- Também trazem o carimbo histórico de Mirecourt.
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O Papel do Lucchi Meter

Um dos grandes diferenciais da linha Master Archetier é o uso do Lucchi Meter, aparelho desenvolvido pelo físico Giovanni Lucchi. O equipamento mede a velocidade de propagação do som na madeira (em metros por segundo).
Esse índice é usado por luthiers e archetier para determinar a qualidade do material: quanto maior a velocidade, maior a rigidez e a capacidade acústica da peça.
No caso dos arcos J.T.L., apenas varas que superam 5300 m/s são selecionadas, o que assegura um padrão de excelência comparável aos melhores arcos artesanais.
Legado e Inspiração nos Mestres Franceses
Os modelos atuais homenageiam alguns dos mais respeitados fabricantes da tradição francesa:
- Dominique Peccatte (1810–1874): conhecido por arcos robustos e de grande projeção sonora.
- Jean-Baptiste Vuillaume (1798–1875): célebre luthier parisiense que também foi referência em arcos.
- Eugène Sartory (1871–1946): responsável por padronizar arcos de grande consistência e confiabilidade.
- Joseph Alfred Lamy (1850–1919): discípulo de Voirin, conhecido como Lamy Père, criador de arcos mais volumosos e poderosos, que servem de inspiração direta para a linha Master Archetier.
Produção Atual
Embora não sejam mais fabricados em Mirecourt, os arcos J.T.L. contemporâneos mantêm a tradição francesa em sua concepção estética, seleção de materiais e métodos de produção.
A execução artesanal é realizada em Suzhou, China, por mestres especializados, mas a supervisão e a identidade da marca permanecem sob a direção da Barnes & Mullins, garantindo padronização, qualidade e vínculo histórico com a França.
Os arcos J. Thibouville-Lamy representam hoje uma ponte entre a tradição artesanal de Mirecourt e a produção contemporânea de alta qualidade.
A escolha rigorosa da madeira de Pernambuco, o uso do Lucchi Meter, a utilização de Ébano birmanês, prata 925 e crina de cavalo mongol posicionam essas peças em um patamar de excelência técnica.
Mais do que acessórios, são a continuidade de uma escola francesa que marcou a história da luteria mundial e que segue viva, adaptada ao mercado atual.


